Fechando 2013 com maçãs argentinas!

MAÇÃS

Passarinho fecha 2013 com 19 textos sobre Literatura Infantojuvenil! Uma grande vitória para mim, que sempre gostei de escrever, mas fugia de um espaço como este, por não se achar preparado. Aliás, acho que nunca vou me achar pronto para tal ofício. Agradeço a todos os leitores amigos pelo carinho comigo, sentimento que me impulsiona e me alegra. Obrigado mesmo. Paulo Venturelli volta ao ninho sem a sua baleia encantadora, mas com maçãs argentinas saborosas para fechar este ano tão especial!  MAÇÃS ARGENTINAS (Positivo), texto de Paulo Venturelli e ilustrações de Odilon Moraes, me faz voltar no tempo… abro o livro, mordo a maçã, volto a ser criança e ganho um pai que nunca tive. O autor, assim como em VISITA À BALEIA (Positivo) – o grande livro infantil do ano por conta das grandes premiações – me presenteia com um pai novamente.

“- Pai, compra uma pra mim… – E apontei para aquele montículo de delícias. Elas luziam sob o céu azul de minha terra natal, que eu amava com fé e orgulho. E muita vontade de botar na boca o licor refrescante daquelas massas feitas só de sumo, de luz, de suculência carnuda que cutucava o músculo de minha alma e dizia: me come, criatura!!! O mundo estava ali resumido naqueles tons. E que mundo estranho, eu pensava, a ponto de escrever maçã tudo errado?!

Meu pai estacou o passo. Olhou para cada um de nós. E demorou mais em mim, para dizer:

– Você tá, doido, filho de Deus?! Sabe quanto custa isso? Se eu comprar uma pra você, tenho de comprar pra cada um a sua. Aí, não tem salário que aguente. Essa fruta é só pra rico.”

“Book trailer” do livro:

É assim que Zeza, nosso garoto protagonista, pede uma maçã argentina a seu pai, depois de muita coragem e de muita vontade… – mas vê seu pedido negado, pois o pai era operário e seu salário não suportaria tais extravagâncias. Paulo Venturelli mexeu muito comigo em VISITA À BALEIA, mas agora fui arrebatado pela sua literatura! MAÇÃS começa e entramos no mundo de Zeza, vemos que a sua cidade é Brusque, conhecemos as ruas, a tia Santina, a tia Ema, o amigo Fridolino, o Cine Real, o Cine Coliseu… em nenhum momento o autor menciona as famosas maçãs no primeiro capítulo! Mesmo assim, nossos olhos ficam saboreando cada palavra, cada parágrafo dessa grande história. Para quê maçãs se podemos saborear as palavras… Narrativa de poucos.

Zeza é tão humano que me faz voltar a ser criança. Me vejo no garoto e com um pai. Venturelli, além de tudo, traz a mim uma infância completa. Sigo torcendo para que o autor sempre ressuscite o meu velho em suas histórias…

“Nesses momentos, eu adorava meu pai. Ele esquecia a brabeza costumeira, ficava cheio de força. O rosto, com a barba por fazer, ganhava a mesma cor  das maçãs. A gente ficava de igual para igual. Ele falando, eu ouvindo, balançando a cabeça. Parecia que ele estava no sindicato, naquelas reuniões de domingo, após a missa. Era quando todo mundo discursava. A sala cheia de vaias, assobios, braços que se erguiam. O pulso fechado. O ar na mistura de perfume forte, suor e cuspe. Às vezes, alguém pegava uma das bandeiras e agitava. Aquele povo ali na sala parecia dono de toda fúria. Subiam nas carteiras. De suas gargantas brotava música que falava de união, justiça, trabalhadores unidos, vitória, alvorecer…”

Odilon e Venturelli

As palavras de Venturelli e as ilustrações de Odilon são tão poderosas, que me despeço de 2013 com a alma de criança. Confesso que o desfecho não me importava mais, pois a minha maçã argentina era ou é esse estado de graça de reencontro. 2014 será o ano das maçãs. Feliz ano novo e bom apetite!

BIO PAULO VENTURELLI

“Vida de internato não é fácil. Eu vivi num dos doze aos dezoito anos. Mas teve seu lado bom. Lá, graças a um professor de português, descobri a leitura e me apaixonei pelos livros. O fruto disso foi que comecei a escrever e nunca mais parei. Escrevo para crianças como você e também para adultos. Tenho mais de vinte livros publicados.

Esta obra nasceu de uma experiência real: garoto, filho de operário, eu não tinha condições de comer maçãs argentinas. Naquela época, o Brasil não produzia essa fruta, que era importada e, por isso, cara. O desejo ficou em minha cabeça e resolvi transformá-lo nesta narrativa. Espero que você goste e viva com o menino, personagem da história, suas aventuras e desventuras.

Se quiser ler outras obras minhas, recomendo: O Anjo Rouco, Admirável ovo novo e Visita à baleia, que recebeu os prêmios da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) de melhor livro para criança e melhor ilustração.”

BIO ODILON MORAES

“Como toda a narrativa é centrada no desejo do menino de um dia provar uma maçã, tentei construir imagens onde o vermelho vivo atraísse nosso olhar como atraía o coração do menino. Sou ilustrador há mais de vinte anos e também escrevo alguns de meus livros.

Gosto do tipo de literatura que usa palavras e imagens simultaneamente.

Publiquei até agora A princesinha medrosa (2002), Pedro e Lua (2004) e O presente (2010).

Os dois primeiros receberam o prêmio de melhor livro para criança da FNLIJ – Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. O meu livro de estreia ganhou também o prêmio de melhor ilustração.

Fui ganhador do Prêmio Jabuti em 1994, pelas ilustrações do livro A saga de Siegfried, de Tatiana Belinky e, em 2008, por O matador, de Wander Piroli.

Além de ilustrar e escrever, também ministro palestras e oficinas sobre a arte do livro ilustrado, minha grande paixão.”

Amigos, dia 10 de janeiro nos encontramos novamente!!!

O livro é surpresa, surpresa das boas!

Agradecimentos:

A todos que me emocionaram com compartilhamentos no facebook e com comentários belíssimos sobre o texto “100 anos de Vinicius de Moraes!”, principalmente estas dadivosas, que tiveram a gentileza de postar no PASSARINHO as suas impressões:

Henriette Effenberger, Heloisa Leandro e Letícia Sardenberg.

Um abraço especial para o Marcelo Del’Anhol, meu amigo e editor de maçãs encantadas!

Renato Coelho

Apaixonado pela Literatura Infantojuvenil.

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4 comentários sobre “Fechando 2013 com maçãs argentinas!

  1. Fiquei aqui salivando pelas maçãs argentinas e louca para conhecer melhor a obra de Paulo Venturelli. Mais uma vez, graças a você, Renato, me aproximo de outro grande autor de literatura infantil e infanto-juvenil. Acredito que você não tem a dimensão do grande serviço que o Passarinho presta à literatura brasileira. Generosidade como a sua, Renato querido, é o que desejaria para, no mínimo, 10% da humanidade. E essa nossa esfera azul seria muito melhor! Que o ninho acolha em 2014 tantos outros passarinhos!

  2. A maravilhosa capa e o ‘book trailer’ já antecipam o quão saborosas devem ser essas maçãs!
    Mais uma indicação preciosa do Passarinho, estou certa de que fomos brindados com o que há de melhor na literatura infantojuvenil. Obrigada, Renato, você nos enriqueceu com suas resenhas e nos enterneceu com suas lembranças pessoais, _que a literatura sempre nos salve.
    Desejo um 2014 saboroso e inesquecível a você e a todos os leitores do Passarinho!

  3. Um desejo move o mundo. Em várias histórias infantis clássicas, é o que desencadeia o conflito. Joãozinho e Maria e seu desejo por doces. Branca de Neve também, por uma maçã. O desejo da mãe de Rapunzel. Uma história sobre um desejo já tem o essencial.

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